quarta-feira, 10 de março de 2021

A cadeira que quis ser trono

 Incentivo à leitura.

 Uma história de António Torrado, cedida por Clube das Histórias - Abrir as portas ao sonho e à reflexão -  http://contadoresdestorias.wordpress.com

                             A cadeira que quis ser trono

 

Esta cadeira não tinha os pés bem assentes no chão. Era uma cadeira um pouco desequilibrada, como vão apreciar.

Nada a distinguia de milhares de outras cadeiras modestas, toscamente pintadas, para enganar o caruncho. Tinha quatro pernas, assento de bom tamanho e umas costas muito direitas, que a faziam parecer senhora espartilhada e altiva. Esquecida a um canto da casa, infeliz com o seu destino de cadeira vulgar, suspirava todo o santo dia:

— Por mais que queira, não me conformo. Puseram-me para aqui, nesta casa insignificante, quando podia estar em lugar de destaque, num salão de luxo. Triste sina.

Os bancos, muito amigos da galhofa, riam-se destas falas. Um deles, um velho mocho de sapateiro, dizia-lhe assim:

— Naturalmente, queria ser trono, não?

— Para trono faltam-lhe os braços — notava um banco de cozinha.

— E falta-lhe a madeira... — acrescentava um outro. — Onde é que já se viu um trono de pinho?

Os bancos voltavam a rir-se, de frente para a cadeira, que nem as costas lhes podiam voltar.

— Deixem a pequena em paz — aconselhava a mesa que era muito boazinha.

— Tem as suas fraquezas, que querem? Se lhe pusessem um calço por baixo de um dos pés, talvez lhe passasse o desequilíbrio. O mal foi terem-na feito com madeira ainda verde.

— A senhora mesa está sempre pronta a desculpá-la — dizia o mocho.

— É que eu também tive ambições, quando era nova. Quis ser mesa de banquetes, imaginem! Só me via vestida com uma grande toalha de linho e rendas, enfeitada de castiçais de prata, coberta de travessas finas e talheres reluzentes... Sonhei com este banquete mil vezes, mas nunca me deram nenhum.

Os bancos ficaram calados. Falando-se em coisas sérias, os bancos não sabiam o que dizer.

— Mas não me sinto infeliz — continuou a mesa. — Aqui os talheres são foscos e os pratos, rachados. Quase nunca me cobrem com toalha, mas as mãos das pessoas passam sobre mim e fazem-me festas. Os cotovelos apoiam-se ao meu tampo. Os dedos batem-me ao de leve, enquanto esperam pela terrina da sopa e pelo pão, acabadinho de sair do forno. Sei que as pessoas matam a fome e a sede à minha volta, sei que gostam de mim e não me dispensam. Vale a pena ser mesa.

“Aquela contenta-se com pouco”, pensava a cadeira, empertigando-se ainda mais nas suas quatro pernas fraquinhas.

Um dia, passou por ali um vistoso cortejo de cavaleiros. Era o rei que ia à caça, em companhia dos seus fidalgos. O séquito atravessou a galope a única rua da aldeia.

As mulheres, os homens e as crianças, que nunca tinham visto cavalos tão bonitos nem cavaleiros tão bem vestidos, vieram às janelas e disseram adeus com lenços.

Na casa desta história, não se falou noutra coisa, durante o resto do dia.

A cadeirinha, essa, só suspirava de si para si: “Ah, se o rei me levasse...!”

Voltaram a passar pela aldeia, ao fim da tarde, os cavaleiros. Traziam caça grossa: javalis, raposas e veados, atravessados nos cavalos. E vinham cansados os cavaleiros.

De todos, o mais amolentado era o rei. Gordo, muito gordo, o rei estava farto de correrias, caçadas e solavancos. O que queria era repouso.

Das portas abertas das casas vinha um cheirinho apetitoso a pão desenfornado. Sua Majestade tentou-se pelo cheiro e, fazendo um gesto, mandou parar a comitiva.

O estribeiro-mor ajudou-o a descer do cavalo, o que ainda foi difícil, e amparou-o até à soleira de uma porta, precisamente a porta da casa onde se passa esta história.

O casal de velhinhos que lá vivia assarapantou-se com a visita. Servir-lhe um pão saído do forno, barrado com manteiga fresquinha, não exigia grandes conhecimentos de etiqueta, mas onde sentar tão ilustre visitante?

— Traz a cadeira, mulher. Depressa! — gritou o camponês.

Era a única cadeira da casa, a tal de que temos falado. Finalmente, ia provar aos bancos trocistas que uma cadeira, mesmo de pinho, sabe servir com fidalguia os grandes da terra e amparar-lhes o peso do poder. Eles que a vissem, frágil cadeirinha, fazer as vezes de um trono, pois então!

Podíamos acabar aqui a história, que acabávamos bem. Mas há contratempos...

Os camponeses chegaram a cadeira a Sua Majestade, que se refastelou. Fosse do inesperado peso ou da emoção, a pobrezinha gemeu... gemeu... e, não se segurando nas pernas, desconjuntou-se toda, com o rei em cima.

Catrapumba! Cai o rei no meio do chão, alarma-se o séquito, assustam-se os camponeses e, dentro de casa, quase se desmancham a rir os bancos e os banquinhos.

Amolgado e muito dorido, o rei lá se levantou:

— Coitados, a culpa não foi deles — disse o rei, referindo-se aos velhinhos.

— Dêem-lhes dinheiro para uma cadeira nova. Ai!

Foi-se embora o séquito real. A cadeira, triste monte de tábuas carunchosas, ficou onde se tinha partido. Lenha para o forno, não tarda...

 

António Torrado

terça-feira, 9 de março de 2021

Sugestões de leitura

Nesta Semana da Leitura, deixamos aqui 3 sugestões de leitura.

1º ciclo
«As palavras também brincam? Claro que sim! Estamos habituados a vê-las muito ordenadas e bem comportadinhas nos livros de leitura, nos dicionários e nas gramáticas mas, de vez em quando, fogem para o recreio como crianças irrequietas.»






2ºciclo
«Diana tem 11 anos, vive com a avó e é uma menina com uma grande imaginação (....) Um dia Diana descobre no sótão da casa da avó uma fotografia da sua mãe. E será essa fotografia que a irá fazer questionar todo o seu passado...»









2º e 3º ciclo
«Gostava de ter um poeta. Podemos comprar um? (...) A mãe disse:
Nem pensar, fazem muita porcaria (...) Muito bem, disse o pai, compramos um poeta. De que tamanho?»

A árvore da escola

A biblioteca visitou a sala do 3º A da EB1 Padre Himalaia. Os alunos ouviram a história e depois desenharam, cada um, a sua árvore da escola. Partilhamos aqui os desenhos de toda a turma.

 


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Que confusão - Uma história por noite

Acordar no chão e lavar os dentes com a escova dos sapatos? A história «Que confusão» (de uma História por noite, da Porto Editora) contada pela autora Clara Cunha, para ouvir e acompanhar a leitura no ecrã.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

DGE - Reflexões práticas E@D

A Direção Geral de Educação (DGE), em articulação com a Agência Nacional para a Qualificação e Ensino Profissional, I. P. (ANQEP), está a promover um ciclo de webinars temáticos, no sentido de apoiar as escolas relativamente à implementação do E@D. Estes webinars são divulgados nos canais próprios da DGE: página da DGEcanal YouTube da DGEFacebook Twitter).

  


Não é preciso inscrição




Calendarização:

11 fev.|17:30 h – Transição para o E@D – enquadramento e práticas  (emissão em            direto)https://www.youtube.com/watch?v=nHjOLtZEam4

16 fev.|17:30 h – Estratégias de comunicação – Escolas e famílias  (emissão em            direto)https://www.youtube.com/watch?v=-5bNILcKGWY)

18 fev.|17:30 h – Segurança e Cidadania Digital no E@D  (emissão em            direto)https://www.youtube.com/watch?v=Myr0dZqoH4M)

 23 fev.|17:30 h – Inclusão – Estratégias das equipas EMAEI a distância  (emissão em            direto)https://www.youtube.com/watch?v=IrgdpkU5vgE)

 25 fev.  | 17:30 h – Aprendizagem da leitura e da escrita nos primeiros anos do 1.º Ciclo  (emissão em direto)https://www.youtube.com/watch?v=srWYa2N8MsI)

 03 mar. | 17:30 h – E@D nos Cursos de Dupla Certificação  (emissão em            direto)https://www.youtube.com/watch?v=mPCA0HNjrfU)